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segunda-feira, 24 de maio de 2010

GETM em andamento

Os encontros quinzenais do GETM seguem amadurecendo o debate acerca da linguagem que o grupo vem pesquisando e realizando a quase dois anos de atividades ininterruptas. A pesquisa que iniciou no ano de 2008 como um desdobramento do projeto Natureza no Asfalto, desenvolvida pela In Bust Teatro com Bonecos, depois de iniciar o ano de 2010 classificando e categorizando os termos que sustentam sua práxis artística segue agora na fase de discussão e apresentação dos projetos que estão em andamento. No próximo encontro (12/06) Edson Fernando fará apresentação do Projeto "Heróis", projeto que estreou em fevereiro deste mesmo ano e que já rendeu quatro postagens, neste blog, sob o titulo "A Saga de Pataca"; Mariléia Aguiar também fará apresentação de seu projeto, ainda sem nome, mas que atende pelo titulo provisório "A Bailarina".

As últimas discussões e realizações do grupo apontam para a tendência pelo trabalho com o Suporte Fechado, e demonstram um interesse por realizar experimentações que excedam a prática do suporte fechado entendido apenas como Teatro Lambe-Lambe. Na verdade atualmente somente um projeto ainda utiliza o suporte caixa fotográfica lambe-lambe. Trata-se do "Portas Atravessadas", e ainda assim, este projeto consegue, senão subverter, ao menos propor novos modos de relações poéticas que não se limitam as relações convencionais do Teatro Lambe-Lambe.

Assim Anibal Pacha, Marileia Aguiar, Edson Fernando e Lane Martins seguem propondo uma nova abordagem com a linguagem do teatro de animação. Na realidade o processo de pesquisa tem demonstrado que o que fazem é uma "Manifestação da linguagem do teatro através de intervenções artísticas, utilizando-se de caixas para experimentações em pequenos formatos". Essa tem sido a postura que vem consolidando-se a cada nova apresentação pública, diante de espectadores ainda não familiarizados com esta nova abordagem artística. Dai a importância desse ato de resistência de continuar apresentando estes trabalhos para que a cidade consiga perceber que existem novas formas de conceber e apreender o teatro, a arte e a cultura, bem diferentes das impostas pela lógica da mercadorização das manifestações artisticas.   

terça-feira, 13 de abril de 2010

Literalmente "Urbano(S)"


Quem ainda não conferiu a intervenção "Urbanos" do performer Anibal Pacha não pode ter idéia do quanto a questão "A vida imita a arte? ou a arte imita a vida?"( de conhecimento popular), é desenvolvida e problematizada a partir exatamente da composição de elementos tão presentes no nosso cotidiano. Encontre sua própria resposta para questão conferindo as intervenções do GETM nas manhãs de domingo na Praça da República. Convite ao exercício de sua percepção.

segunda-feira, 22 de março de 2010

GETM na comemoração do primeiro dia do Ano Astral.







No dia 21 de março às 21 horas na Praça Amazonas aconteceu encontro de bruxas e simpatizantes para comemorar a passagem do Ano Astral e o GETM compareceu com quatro trabalhos. "A Saudade do Sonho" de Marilea Aguiar, "Portas Atravessadas" de Edson Fernando, "Memórias" de Lane Martins e "Mundo Doente" de Anibal Pacha.

Intervenções na Praça da República: Domingo 21 de março








Getm estuda "Mito da Caverna" de Platão

Facilitadora: Marilea Aguiar


Quando: 20/3/2010
Onde: Casarão do Boneco
Participantes: Sônia Lopes, Michel Amorin, Patícia Sardinha, Lane Martins, Ézi Neves, Karla Pessoa, Anibal Pacha, Edson Fernando.



Nosso estudo foi todo com base o livro O MITO DA CAVERNA /A República / Platão; tradução de Carlos Alberto Nunes – Belém: EDUFPA, 2006

Parte do prefácio

As coisas que vemos em torno de nós são reflexos de puras idéias dotadas de existência real e são, desse modo, cópias ou aparências de tais idéias. Eis o costumeiro resumo da filosofia platônica posta em cena pelo mito da caverna contado pela primeira vez no Livro VII de A República. Dizemos pela primeira vez porque esse mito foi inventado por Platão.

Benedito Nunes - janeiro de 2006

ANALISE DO MITO

Os homens acorrentados que ali aparecem só percebem as sombras dos objetos e pessoas que desfilam no exterior. Só quando se libertarem das cadeias e galgarem até o exterior, poderão ver as coisas verdadeiras à luz do sol que as ilumina.

Trata-se então do efeito libertador do conhecimento. Mas para alcançá-lo precisará o homem, por iniciativa própria, libertar-se das imagens ilusórias que o encadeiam. Sendo libertador, o efeito do conhecimento também é moral.

Platão acompanha a trajetória daquele que se libertou. Poderá retornar ao meio em que vivia para contar aos outros que vivem presos a ilusões. Os prisioneiros poderão ou não acreditar nessa revelação. Se acreditarem, ganharão a liberdade e poderão contribuir para que os outros se libertem.

Mas essa diferença entre o real e o ilusório, que excede o pensamento de Platão, continua sendo, até hoje, a lição primeira de toda a Filosofia.

ANALISE DOS ELEMENTOS DO MITO

 A caverna: Local para pensar criticamente, local para reflexão sobre o quê das coisas e Impulso para chegar ao conhecimento.

 O olhar: É usado como portal principal para o despertar dos outro sentidos.

 As sombras: São reflexos das coisas dotadas de existência real.

 As coisas: São cópias, são reflexos, são aparências do real.

 A idéia: Essência das coisas, puro pensamento.

CAMINHO DE BUSCA PARA O CONHECIMENTO

 1ª visão – AS SOMBRAS

 2ª visão – OS ACORRENTADOS

 3ª visão – O MURO

 4ª visão – O CAMINHO

 5ª visão – O FOGO

DOLOROSA JORNADA HUMANA

 Homens acorrentados.

 Como se libertar?

 A luz das idéias das coisas.

 O conhecimento das aparências.

 O espanto.

 O convencimento.

 A indução.

 A compreensão do mundo real.

 O Ser livre.

 Entrada para o conhecimento das coisas através das idéias.


DE DOIS MODOS PERTURBA-SE A VISÃO

 Das TREVAS para LUZ (sem conceito)

 Da LUZ para as TREVAS (com conceito)

Obs: em qualquer das duas a sensação de dor é a mesma.

"É dever daquele que sabe encaminhar o outro ao verdadeiro conhecimento da essência das coisas, através da indução para que descubra sozinho."


"Educar não é colocar conhecimento na alma como se ela não tivesse conhecimento do mesmo. É o mesmo que dotar de vista à olhos privados de visão. Educar é o processo de participação total do Ser para só assim partilhar da idéia do Bem."


Platão

Abrimos para discussão levantando algumas questões que se relacionam com o nosso trabalho.

A caverna como espaço de reflexão.
Coisas que vemos em torno de nós são reflexos de puras idéias.
O real e o ilusório.
Projeção dos desejos.
Projeção da realidade que o homem procura apreender.
Local para se pensar criticamente.
O olhar usado como portal principal para despertar outros sentidos

Definições:

Estado do público: suspensão/imersão/reflexão
O que fazemos é Teatro de Fronteira
Momentos da cena: abordagem/ato/dispersão

quarta-feira, 17 de março de 2010

DISCUTINDO SOBRE SONOPLASTIA - POR EDSON FERNANDO

O debate que desenvolvo abaixo nasceu a partir das reflexões  dos comentários da postagem “INTERVENÇÃO ‘URBANO’ COM TRILHA SONORA” de Aníbal Pacha. A discussão que proponho agora centra-se na questão: A operação da trilha sonora é apenas uma questão de escolha técnica?

Acredito que minha inquietação quanto à questão de como usar a sonoplastia (se com fone de ouvido ou com suporte externo) deixou de ser uma questão meramente técnica e passou a fazer parte da discussão da encenação dos projetos. Dois exemplos pra refletirmos: Se o meu projeto "Heróis" usasse, ao invés de suporte para sonorização externa, os fones de ouvido isso iria trazer quais desdobramentos do ponto de vista da encenação? Agora pensemos o mesmo no caso do teu projeto "Urbano", invertendo a proposição: Se usasses suporte para sonorização externa quais desdobramentos trariam pra tua encenação?

Respondendo ao primeiro exemplo penso que isso provocaria uma quebra no meu projeto, pois como bem percebeste entregar os fones sinaliza a oficialização do pacto ficcional, o gesto da entrega determina que é teatro, elimina-se as dúvidas, e, por conseguinte, o espectador conforma-se e comporta-se como um observador privilegiado. A condição de observador, no caso do meu projeto, é tudo que devo evitar pois a intenção é exatamente instigar brechtianamente as pessoas a refletirem sobre sua condição social. Portanto, a dúvida que desperta a "presença performática" do Adegesto Patáca no meio da Praça, é uma das maneiras de provocar as pessoas a pensarem: "O que é isso? É realmente hoje o processo eleitoral? Por que não posso ver se não der o documento? Por que corpo de heróis com cabeça de político? São heróis ou vilões?" Todos esses questionamentos já ouvi das pessoas com quem interagi. E mesmo os que não chegam a ver o que tem dentro da caixa, a provocação para a reflexão sobre a questão democrática é colocada, pois Patáca ataca com questionamento: "Não sabia que o processo era hoje? Não se importa com a democracia? Qual é a arma do cidadão brasileiro?" A partir de tais questionamentos se desdobra a reflexão, não permitindo em nenhum momento ao espectador o lugar cômodo de observador passivo. Mas se resolvo colocar os fones de ouvido, penso que corro o risco de quebrar essa engrenagem da encenação. Lembro ainda que desde que estreei este projeto, pouquíssimas vezes as pessoas ao final da intervenção, me parabenizam ou comentam sobre a natureza artística do projeto. E mesmo os poucos que assim o fizeram, recebem a indiferença de Patáca que continua atuando pela lógica da encenação.

Agora exercitando o raciocínio tendo como objeto o teu projeto “Urbano”. Penso que se a sonoplastia vem de dentro da caixa (sem a utilização dos fones de ouvido), ela acaba por se confundir com os próprios ruídos da rua, estabelecendo uma relação de continuidade com a realidade que cerca a fábula. Encerrada a fábula, a janela da caixa se fecha, a sonoplastia finaliza, mas os ruídos da rua (os mesmo reproduzidos na sonoplastia) permanecem e acompanharam sempre o espectador que possivelmente será motivado a pensar sobre esses ruídos tendo como referencia a imagem de contraste (dentro da caixa) que ficou registrada em sua memória. É claro que atuação do performer continua sendo imprescindível, usando ou não o fone de ouvido.

Gostaria que esse debate fosse amadurecido por todos nós que estamos envolvidos nessa pesquisa, pensando como essa questão atravessa os outros projetos não citados aqui. Mãos a obra!!!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

INTERVENÇÃO "URBANO" COM TRILHA SONORA

A Intervenção “Urbano” é mais um dos experimentos realizado por Anibal Pacha desenvolvido junto com o Grupo de Experimentação de Teatro em Miniatura (GETM).
O pequeno objeto, preso ao corpo do performer, tem como imagem externa uma metrópole confeccionada em papelão (suporte fechado) e dentro uma paisagem ribeirinha em miriti (conteúdo). O confronto dessas duas imagens convida o público ao deslocamento interno, a um tempo de pausa, de intervalo e de suspensão.

Esse trabalho teve sua estréia no dia 6 de dezembro de 2009, na Praça Batista Campos em Belém do Pará. Desde lá tem mantido apresentações sistemáticas nos finais de semana que inclui também a Praça da República. Essa seqüência de apresentação tem ajudado, junto com o público, no amadurecimento da proposta.

No domingo dia 14 de março foi acrescentando mais um elemento (o que faltava) a sonoplastia, utilizando MP3 e fones de ouvido para a execução. Esse novo elemento contribuiu para que o contraste das situações (externo e interno) ficasse mais em evidencia: a trilha sonora de um transito enlouquecedor com a cena tranqüila de uma imagem ribeirinha. Percebi que com esse novo elemento o público se aproximou muito mais tranqüilamente sem a desconfiança da “pegadinha”.


Tive que refazer a partitura corporal para introduzir mais este elemento. No início foi um pouco atrapalhado mais depois da vigésima apresentação tudo fluiu mais tranquilamente.

Chequei às 10:30 e sai às 14 horas com apresentações ininterruptas com um intervalo de segundos para uma água. Terminei as apresentações com a sensação que tinha fechado a idéia desse trabalho. Minutos depois me veio a pergunta: quem é esse performer (ator-manipulador) que carrega esse espetáculo na sua frente? Que imagem ele deve ter na leitura visual da forma no trabalho? Que corpo e que atitude ele deve apresentar no momento da intervenção?Perguntas e mais perguntas, não acabam nunca. Que bom. Mais um tempo para pensar e experimentar. Depois, é outro momento.